11ª corrida Benfica

10 de Abril de 2016

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Manhã de chuva. Fortes ameaças de levarmos com um “camadão” de água durante o desempenho. A linha de partida à pinha, estranhamente, alguma tolerância em deixar-nos chegar junto das placas que marcam o tempo esperado para a conclusão dos 10 km. Quis ir para junto da linha que marca 40′ a 50′. Cheguei lá facilmente mais a grupeta Nuno, Artur (o nosso caloiro) e Sérgio. Uns pinguitos não nos demovem de querer correr e estou mesmo com muita vontade de marcar menos de 50 minutos.

São dois os motivos para isso. Primeiro, cada vez mais as provas de estrada são para mim aquelas em que vale a pena brincar aos tempos. Segunda, quero ter uma prova com um bom tempo aos 10k de forma a mandar o diploma para outras provas maiores, sempre que solicitado. Só quem já passou por isso sabe o suplicio de começar uma corrida no fim da fila.

Dá-se o arranque e eu reafirmo aos meus comparsas que a prova é para fazer em menos de 50′. Muita gente e a confusão das ultrapassagens a requerer especial atenção às possas de água e ao piso molhado. Não vejo ninguém. tenho as pernas pesadas. Não fiz um bom aquecimento. Tento focar-me na corrida, no objectivo. “Bora lá”!

Às tantas lembro-me do resto da malta e olho para trás à procura, não vejo ninguém. Não tenho tempo para esperar, hoje é para dar o litro, como eu estou, logo me apanham. Os 3 primeiros km são sempre uma merda. Sou tipo carro a gasóleo dos antigos, primeiro que desenvolva é só dores e vontade de parar. Lá para o km 2-3 sou apanhado pelo Sérgio que me diz: “queres fazer menos de 50′ certo? Vamos lá então!”. Pergunto pelo Nuno e ele diz-me que mandou seguir, que não se sente 100%. Nem penso, sigo, julgo que estamos acima dos 5:00 m/km, mas o Sérgio informa-me que já vamos muito abaixo disso. vamos a 4:qualquer coisa. Sinto algum ânimo, mas sei que vai ser difícil. Não me sinto confortável. Talvez seja uma velocidade que ainda não é para mim. Não sei.

As provas em Lisboa têm sempre algo que me cansa muito e desmotiva. Entendo a necessidade de o fazer, mas não convivo muito bem com as passagens paralelas de sentido inverso. Ou seja, uma rua ou avenida em que corremos num sentido para uns km à frente virar e fazer tudo outra vez no sentido inverso. A “ida”  é desmotivante e interminável.

A passagem no estádio é um momento delirante para todos os benfiquistas, pisamos a relva… que delicia, que emoção… não senti nada! Só queria seguir as instruções do Sérgio e correr o mais depressa que conseguia. Não estava nos meus dias, tudo me estava a ser penoso demais. Mas estava dentro do tempo pretendido…. “corre pá… caga no estádio e corre!”

Dai até ao fim as coisas melhoraram um pouco mas não o torpor das pernas. Percebendo que que o Sérgio estava a correr muito mais lento que o ritmo dele, só para puxar por mim, senti que tinha de dar tudo para não o defraudar. A 1 km da meta ele diz sorridente que só se fizer o restante a um passo de 7: e muito é que não conseguiria o objectivo. Juro que nem assim tive a certeza de que eram favas contadas. Os últimos metros foram um suplicio. Senti-me um carro com a caixa de velocidades partidas. Bem carregava no acelerador, mas nada acontecia. o motor só queria parar.

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Cortámos a meta e pude finalmente respirar de alivio. O objectivo foi cumprido (47:28). Voltei para casa agradecido, com a sensação de “dever cumprido e com uma camisola do glorioso! Não podia pedir mais!

Lamento a lesão que o Nuno arranjou e que o fez parar umas boas semanas. No resto, todos trouxemos orgulho para casa.

Muito obrigado aos meus amigos que me apoiam e inspiram para melhorar de cada vez que calço os sapatos de corrida!

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Trilhos do Almourol 2016

 

Só a releitura do título já me traz dor, dor… dor e muita emoção. Apenas destes dois substantivos necessito para caracterizar e resumir a minha participação na prova.

 

Começo já por confessar que a subestimei. Achei que não iria ter grande dificuldade, mesmo sendo a minha estreia nos K42. Aproximadamente 900 m de altimetria não seriam assim tão difíceis de fazer, tendo em conta que ainda uma semana antes tinha feito 1300 m para 56 km, pensei. Não pude pagar essa ignorância de forma mais cara.

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Logo após o arranque, entre os kms 2-3 e 10-11 (não tenho ainda relógio com GPS, fica difícil precisar estas coisas) foi o suplício. O calvário. O desespero. Tento descrever:

Single track com lama e turfa molhada casada com subidas e descidas próprias de escalada (mas sem cordas nem mosquetões). Notas de vegetação cerrada da mata mediterrânica. Aromas de turfa, barro, feto e musgo. Aqui e ali ponteada com toques de metano provindo de matéria orgânica vegetal em decomposição. Muita humidade quente no ar aqui e ali refrescada pelas passagem perto da água. Ai, uma névoa trazia os toques de mineralidade doce das nascentes e das fontes naturais dos bosques. O cheiro a pedra molhada.

Para terem uma noção do que sofri, cai mais vezes neste primeiro troço que em todos os trails que já fiz…juntos! Às tantas pensei que os meus Asics Fuji Trabuco seriam bons para tudo menos para o que estava a tentar fazer. O esforço deste primeiros km foi tanto que se acumulou em mim um cansaço que me impediu de concentrar no caminho e suas dificuldades. Os pés esbarravam em todas as curva. Não me magoei por sorte. Às tantas comecei a pensar no que seria aquilo dali para a frente, como iria eu terminar a prova dentro dos limites se já me sentia esgotado logo de início. Nem fotos, nem atenção para desfrutar da soberba natureza que nos envolvia. Nada. Só dor e desconforto!

Lá para os 11-12, finalmente a luz voltou mas o alívio não. Terreno mais aberto com o Zêzere a acompanhar, muito pontuado por um espesso areão que a chuva tinha feito o favor de deixar rijo. Que dificuldade em prosseguir correndo. As pernas estavam estafadas, naquele piso parece que tinha pesos atados aos tornozelos. Simplesmente não conseguia mais. Gente a passar por mim e até os mais experientes  a recomendar que corresse, que aproveitasse o terreno plano. Não consegui.
Por opção, não parei nos dois primeiros abastecimentos, mas no 3º (primeiro posto de controlo), o de Constância tive de parar. Menos de 20km corridos e eu sem “poder com uma gata pelo rabo”. Bonito!

A paragem fez-me bem. Recompus o estômago e para primeira vez na distância, acho que encarei bem a prova. Tenho há muito tempo a convicção de que, em condições normais, uma prova longa deve ter dois objectivos bem claros. Terminus e tempo para terminar. Na forma como organizo as coisas, separo estes objectivos e atribuo responsabilidades diferentes a cada um. Fazer a prova dentro de um tempo previamente definido é trabalho do corpo, é função da condição física e de tudo o que a influencia (obviamente que é também um exercício de gestão), inclusivamente de todo o trabalho de preparação. Acabar a prova é uma responsabilidade da mente. “Se não acabo a a correr, acabo a andar. Enquanto conseguir andar não há nenhuma prova que não termine por vontade minha!”. È por isso que terminar a prova é sempre o meu objectivo numero 1 (um dia destes explico isto melhor).

Foi a pensar nisto tudo, e um pouco mais retemperado, que arranquei para mais um troço. Pode-se dizer que ganhei uma nova moral, nem tudo estava perdido. Tive de redefinir objectivos. Tinha gasto bastante tempo no 1º terço da prova, 3 h, seria impossível fazer o resto noutras 3 (objectivo à partida: >6h), mas sentia o corpo a reagir. Estava muito molhado e a paragem fez com que os músculos arrefecessem um bocado mais do que deveriam. Nem 200 m tinha decorrido ainda, senti as ameaças de cãibras nos músculos superiores da perna. Voltei a andar até me sentir de novo quente, mas não havia meio daquilo voltar a trabalhar. Cada vez me achava mais preso. Comecei a ficar desorientado e aborrecido com tudo aquilo. “Logo hoje que a cabeça quer tanto, o corpo não ajuda nada”. “Nota mental: Mais treinos de rampas e escadas”. O estado de espírito começou a ficar mau, tanto que deixei de tomar sentido às marcações e não fosse um grito de um outro participante, teria andado algum tempo perdido e sem perceber onde me tinha enganado. Felizmente, a partir dai, o corpo ajudou mais um pouco, ou então habituei-me às ameaças e consegui voltar a correr. De facto percebi que se alternasse a corrida e a caminhada conseguiria enganar os músculos e limitar as dores. Não gosto de abusar. Alguém me explicou um dia que a dor é o que nos protege da lesão. Ignorar a dor é meio caminho andado para rasgar um músculo. Mas não é obrigatoriamente motivo para parar!

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Dai para a frente foi mesmo e só uma questão de gerir as dores, o cansaço e o enfado. Queria acabar com aquilo depressa e ansiava por ver a meta. Nem a beleza dos locais por onde passava me distraiam do objectivo “acabar esta merda o mais rápido possível!”.

Felizmente esta prova, nas questões em que me apercebi, estava muito bem organizada. Caminhos bem marcados, pessoas em locais estratégicos e uma distribuição dos abastecimentos que a mim me pareceu brilhante. A partir do 20km, todos os abastecimentos apareceram na hora certa, a fazer a transição entre ambientes e a espaços que permitiam marcar o ritmo. Foi o facto de saltar de abastecimento em abastecimento que me aliviou o desgaste da contagem de km e todo o stress que dai poderia ter vindo.

O penúltimo abastecimento (o do pernil a assar) ficava a cerca de 10km da chegada. Em teoria estava quase, na prática, faltava tanto… cada km parecia ainda maior e ainda me faltava a parte molhada, essa que eu tanto gosto. Se não gostava de água, passei a odiar. Não me saia da cabeça que gastei dinheiro numas sapatilhas com gore-tex para as mergulhar em água até aos joelhos de cada vez que as calço.

Também devo dizer que a partir dai me tornei num “marine amaricano”. Não via nada, não sentia nada, não me incomodava com nada. Lameiros? Foi mesmo pelo meio. “safoda”! levava na mente apenas acabar. Acabar. Acabar. Acabar!

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Os últimos 4km foram os mais difíceis psicologicamente. Não pelo corpo. As pernas tinham percebido que tinham de correr e os pés estavam para lá… O conjunto pesava mais que um carro de combate. Queria correr mais rápido, mandar aqueles sprints que o Nuno Manuel está sempre a dizer que eu dou quando já não posso mais. Mas não podia mesmo. Estava pregado ao chão – “Corre Mendes. Corre Mendes… acaba essa merda. Corre!” – e eu tinha a sensação que corria, mas quase não saia do mesmo sitio.

Na entrada para o alcatrão, a 1km do fim, a senhora das indicações disse-me a mítica frase: “Força, é já ali à frente… aí a 1 km!”. Confesso que só não fiz esse km todo a chorar porque me envergonhei e fiz de tudo para me conter. A emoção era tanta… “consegui, já não há nada que me impeça de acabar. Consegui. Sofri tanto. Foi tão duro. Sofri tanto. Consegui. Vou acabar isto”.

Passa por mim um carro, a buzinadela tira-me deste transe, era o Rui, um dos companheiros desta luta que já ia de abalada. Acenei sem me demorar… “quero acabar… quero acabar”. Chego finalmente ao pavilhão. Penso. “Eles vão estar lá, não vou conseguir evitar, estou tão emocionado. Que conquista. Apetece-me tanto chorar”. Engulo tudo… até o choro. Sei que não vou poder falar muito. Dou as voltas que a organização manda e entro de frente com a linha de chegada. Uma janela (ou porta, nem sei) encandeia-me o tempo necessário para não perceber bem quem me espera, mas são eles de certeza, é para mim. E é! Estão a Sara, o Jack, a Patrícia, o Valdemar e o Nuno. Que emoção…

Corto a meta…. ahhhh…. alivio… durante umas fracções de segundo sinto-me a pairar num vazio silencioso. Tudo é leve,  levito… estou no vácuo!

Eles rodeiam-me e recupero instantaneamente o peso e a audição. Julgo que não me conseguirei conter. Um sr. diz-me qualquer coisa e mete-me a medalha ao pescoço. Olho o relógio da prova e estou a poucos minutos das 7:00h.  Abraço a Sara e escondo a cara. Preciso deste ombro para engolir em seco. Levanto o olhar e lá estão eles. Que felicidade lhes leio nos olhares, que sorte em poder te-los ali. Tão bom!

Ainda a conter o choro tento falar, não consigo. “Se abro a boca desmancho-me”. Fazem-me perguntas, relatam-me as preocupações. “Tudo para mim? Mereço isto?” Há muito que não sentia nada assim.  Sou curto e grosso nas respostas. Agarro-me às descrições menos emotivas para recuperar a razão. Que sensação magnifica. Só quero olhar para a medalha. È minha, conquistei-a. Diz-me tanto!

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Foi tão bom ouvir a Sara no caminho para casa contar as preocupações de cada um dos nossos amigos presentes (e alguns ausentes quando eu cheguei). Percebi melhor a sua alegria e o seu alivio ao ver-me chegar. Confesso que foi muito importante que lá tenham estado. Não tenho como expressar a minha gratidão pelo apoio que me deram. Não tenho como expressar a alegra que me dá saber que há pessoas que torcem por mim, que sentem alegria nestas conquistas que não são directamente suas (ao mesmo tempo que são). Maior valor dou quando sei que também a prova deles foi dura, e que todos foram heróis da superação naquele dia.

O David Ferreira, um dos meus heróis da corrida amadora, diz que quando se faz uma maratona se cresce um palmo. Não em altura, mas em carácter. Não serei a pessoa certa para avaliar se essa mudança se operou ou não, mas é um facto que alguma coisa se alterou dentro de mim. Não quero nem consigo explicar ainda o que foi. Vamos ver se o tempo a consegue revelar!

Obrigado a todos pelo carinho e apoio!

No Strava

Passagens de água nos Trail – A ideia mais estúpida depois da porta ondulada.

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Aceitarei que me digam, fruto deste post, que não percebo o espírito trail e essas merdas todas. Que sou um panconas que ainda agora começou a correr e já se acha no direito de debitar opiniões. Tudo isso é passível de ser verdade!

Nada disso porém muda o facto de não suportar ter de passar por ribeiros e outros sítios que me façam molhar os pés até aos artelhos, canelas, joelhos ou axilas. Não suporto a ideia de uma prova longa onde seja obrigado a correr 10 ou 20 km com pés e meias molhadas. Não entendo a graça disso. Fico amuado!

Mas há quem goste e sei que é a parte preferida para muita gente. Pronto, cada maluco com a sua mania.

Agora, e porque não criar uma alternativa para os gajos como eu ou, quem sabem, apenas só para mim. Tenho várias propostas, aqui ficam algumas:

  • Criam um troço alternativo mais longo que me faça perder algum tempo mas que me permita continuar com os pés secos.
  • Criam um percurso que circunde a “puta” da água e dão-me uma penalização no tempo total (porque fazer o resto do percurso com os pés secos é diferente de o fazer com eles molhados)
  • Deixar de meter passagens por dentro de água (essa é que era).

Pronto. Depois disso já posso reclamar à vontade porque já apresentei alternativas válidas e viáveis.

Organizações várias, pensem lá nisso, está bem?

Abraço.

Cair – Levantar – Cair – Levantar e correr!

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Sou um tipo ambicioso. Sempre fui. Quero sempre muito e estabeleço objectivos demasiado altos. Espero sempre mais de mim do que aquilo que é racional. Enganam-se os que julguem que isto é bom. Não é. É péssimo! É um defeito, um erro constante de avaliação, uma repetida fonte de frustrações. Se ponho as coisas no inatingível, só posso esperar não as atingir, certo? Somem agora a isto querer muitas coisas ao mesmo tempo e já têm uma vaga ideia do que é a minha existência.

Pois bem, a corrida foi uma das “coisas” que me apareceu em 2015 e que me tem ajudado a trabalhar este defeito. Tenho noção do que posso pedir e de como o posso fazer. Tenho objectivos ambiciosos, mas não inatingível como de costume. Tenho um foco a cada treino. Isso ajuda-me também a dividir os grandes objectivos em pequenas etapas, fazer com que cada um deles conte e tenha um propósito na construção do objectivo maior. È óbvio? Parece fácil? Para mim nunca foi, talvez nunca será. Garanto-vos!

Recentemente tive algumas “aflições” laborais, com exames “na escola” pelo meio, que me afastaram da corrida. Consegui estar parado, entre a necessidade, o frio e a preguiça (que se instala)… 3 semanas. Para ajudar à festa, a ida a pé a Fátima de Fevereiro foi parar às urtigas. Bom, dirão que isso não tem mal nenhum quando se corre apenas por prazer. Certo. Mas e a maratona? Não era suposto ir fazer a maratona de Madrid dia 24 de Abril? Era, mas foi coisa que nunca me passou muito bem à goela.

A maratona é uma prova a que estou a dar um valor sentimental bastante grande. É um marco, um ponto que pretendo de viragem, também, noutros aspectos da minha vida. Madrid apareceu como uma solução, não como opção. Mas pensando no assunto, sempre me soube a perder a virgindade com uma profissional. È forçado, não é sentido, serve para dizer que foi. Não quero fazer isto sozinho, longe do meu chão nem das pessoas que me apoiam. Por isso pensei melhor e… não vou! Resolvi fazer outra coisa que dentro de alguns dias espero poder partilhar convosco. Preciso só de um tempinho para a organizar em condições.

Não desisto, no entanto do plano de treinos que me levará a estar apto para correr uma maratona no dia 24 de Abril. Disso não abdico.

È a pensar nisso tudo, na forma como costumo ser afectado e não fui (ontem já corri), que inicio mais uma semana de treinos, a primeira depois da paragem. Há muita coisa para pôr em dia. Espero ver-vos nos treinos, na rua ou no facebook… a postar exercício!

Bora lá sair do sofá e dar nisto com alma!

 

III Caminhada treino – Santarém/Fátima

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Depois das duas primeiras edições destas caminhadas treino ( aqui e aqui) que relembro, terão carácter mensal até Dezembro de 2016, tenho recebido mensagens de pessoas interessadas em integrar os próximos grupos. Eu nada tenho a opor, apenas não consigo marcar com muita antecedênca cada uma das caminhadas. Passarei contudo, a dar noticia disso por aqui com a máxima antecedência possível.

Informo que a proxima, a 3ª está já marcada para dia 27 de Fevereiro. Iniciaremos no Largo do Seminário em Santarém e a “tradição” manda que a reunião se faça às 6:30 para beber café na Bijou e poder dar a partida às 7:00. Seguimos pelos trilhos marcados (contem com cerca de 60km) até Fátima.

Quem quiser, sinta-se assim convidado/a. Se precisarem de mais informações contactem-me.

Trail Run Concelho de Ourém

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Domingo, 6:00 da manhã, toca o despertador. Caramba… deixa-me dormir pá, estou exausto, tive uma semana tramada e ontem não deu para descansar. Para mais a noite foi tramada, tosses e choros até às tantas. Abro um olho e o cérebro ganha alguma actividade, lembro-me que combinei com a malta para arrancarmos às 7:00 para Ourém, o Joaquim prevê uma enchente, temos de chegar cedo. Também… o que tenho eu na cabeça para me inscrever nestas coisas ao Domingo?

O melhor é meter-me debaixo do chuveiro e ver se acordo porque já sei que de outra forma me vou andar a arrastar pela casa e de certeza que me atraso. Se aquele gajo me liga e ainda estou em ceroulas vai-me chagar a cabeça e eu vou ter de o mandar para o c******. Detesto ter de o fazer, principalmente… quando ele tem razão!🙂

Não vale a pena descrever o resto, certo? Sai de casa com o pequeno-almoço no bucho metido à pressa. Consegui que o telefonema do Joaquim chegasse já quando estava ao pé deles. Penso que ainda o consegui convencer, por segundos, que ainda estava na cama.

Não sou a pessoa certa para criticar a organização deste tipo de eventos, é o 4º trail a que vou e há uma forte possibilidade de não dar por falta de muita coisa que os mais experimentados estão acostumados. Por isso mesmo, esta é a minha impressão, apenas.

Chegando lá, devo dizer que a entrega dos dorsais foi um luxo  (temia que estivesse um caos porque durante a semana tinha havido uma série de mal entendidos com a minha inscrição). O meu primeiro dorsal personalizado. Que lindo! Tudo o resto achei sóbrio e espartano, não havia espectáculo à partida nem bandas filarmónicas à chegada, apenas o suficiente para que a prova se realizasse sem percalços.

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O meu núcleo era constituído pelo Joaquim Delgado, o Rui Felício e o Valdemar Fernandes (um homem das bicicletas em estreia absoluta nestas provas). À partida separámo-nos do Joaquim e encontrámos a Sílvia Carvalho. Foi nesta grupeta que fizemos a maior parte da prova e foi com eles que a terminei.

O nosso ritmo foi, vejo agora, muito lento. Levámos muito tempo a completar os 24km de prova e não culpo a altimetria (+700m) por isso. O tempo estava bom para boas performances, provavelmente fomos nós que não estivemos inspirados. Não que o trail seja uma prova onde o tempo me preocupe, mas 4:30 para 25km…. Esperem lá!

O caminho foi muito bem marcado, muito bem mesmo, tanto que não entendo como é que uns gajos que chegaram depois de nós afirmaram que se tinham perdido. Os abastecimentos não eram faustosos, mas tinham o essencial mais gente simpática e amendoins. Que mais se pode exigir?

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Para quem gosta de passagens com água, teve oportunidade de molhar os sapatos até ao joelho. Para quem abomina, como eu, ficar com os pés molhados encontra aqui uma boa fonte de rabujem (e ainda a faltar metade da prova). Para mais num percurso nonsense, muito monótono e sem apelo visual que justifique tanto tempo a andar aos s. Este foi, de facto o que mais me desgostou nesta prova. Não me cativou visualmente. O cenário repetitivo e a sensação de andar a subir e descer a mesma encosta vezes sem conta só para fazer km e não para me conduzir às belezas da região. Não fosse a alegria contagiante dos meus comparsas de prova e tudo aquilo teria sido um suplicio ainda maior.

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Tendo em conta que sou amador, muito amador, e que o trail tem de ter uma componente natural que me inspire, devo dizer com alguma pena (porque a organização merece o contrário), que não voltarei a fazê-lo nas próximas edições. Não é para mim.

Valeu a experiência!

Álbum de fotos

Véspera de Trail

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Amanhã é dia de trail. Trail de Ourem.

Confesso que depois de tanta alterações e mal entendidos por parte da organização, estou expectante quanto ao que iremos encontrar nesta primeira edição. Contudo, somos amadores, vamos pelo desfrute, pelo convívio, para mim não é tão importante fazer uma passada brilhante ou um tempo maravilhoso. Quero apreciar toda a paisagem circundante, poder tirar umas fotos e ainda partilhar isso com algumas das pessoas que me dão incentivo nestas coisas da corrida.

Sendo o meu tipo de prova preferido, é aquele onde vou com maior descontracção. Inscrevi-me para os 21km, que passaram depois a 24 (vamos lá ver se amanhã não serão 28), e espero tirar o maior partido de cada um deles.

O farnel está arranjado. Bora lá então!

Depois conto como foi!🙂

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Francisco Torres e o cantinho dos peregrinos

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Naquele ponto, o caminho ainda não tinha dado motivos para fadigas ou arrelias. A malta ia animada. Contavam-se piadolas, riamos e pouco mais haveria a relatar sobre a passagem pelos campos de Santos, na rota norte dos peregrinos de Fátima e Santiago.

Desta vez a companhia tinha 5 elementos para além de mim. Sara, minha mulher; Laura e Eliana, colegas e amigas da Sara; Bruno, marido da Eliana; Artur, um amigo com quem partilho aventuras desde o primeiro dia de escola primária.

Numa saída de estrada para um trilho (ontem seria melhor dizer que foi da estrada para a lama), fomos interpelados por um homem que nos perguntou se já conhecíamos o cantinho do peregrino. Admirados, parámos a marcha. Quisemos perceber melhor o que aquilo era.

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O Sr. Francisco, assim é o seu nome, contou-nos que aquela é uma paragem “obrigatória”, com direito a carimbo e livro de registos. Não conheço a oficialidade do seu carimbo, o que importa é que do nada, ele improvisou um local de descanso e ardil para a troca de dois dedos de conversa. Ali convive um pouco com quem passa, ouve histórias do mundo e viaja à boleia da imaginação. Apressou-se a mostrar os seus valores. Uns e-mails e fotos que recebe de quem ali pára.

-Sabe quem é esta?

-Não! (respondeu a Sara)

-Alberta!

– A senhora chama-se Alberta?

-Não, ela chama-se … mas vive em Alberta!

Ficaria ali mais tempo, mas o caminho ainda é longo e as paragens demoradas pagam-se caro. Partimos depois da foto da praxe mas ficou a promessa de ali voltar na peregrinação do próximo mês e trazer o tão ambicionado carimbo  para casa.

Como disse, desconheço a oficialidade da paragem do Sr Francisco Torres, mas isso não me interessa para nada. Não pede mais que um pouco de atenção e o envio posterior das fotos por e-mail. Sai muito barato para o que nos dá!

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Em verdade vos digo, saí de lá com a alma cheia. Não só porque com 10 minutos conseguimos “fazer” o dia daquele senhor como ainda porque nutro a mais profunda admiração por este tipo de pessoas que atacam os problemas com os recurso que têm à mão. Deixo a minha imaginação vaguear e crio um retrato, uma vida para este homem. “È” alguém que viveu confinado ao isolamento rural, não tendo tido oportunidade para conhecer o mundo nem de contactar com todas as suas culturas. A reforma não lhe chega para matar a solidão por isso passa ali os dias de tempo bom, na esperança que caia na rede mais um grupo de alegres caminheiros com mais histórias preciosas para o enriquecer.

Para muitos será um maluco, para mim é um exemplo de empreendedorismo. Não deixem de parar no cantinho do peregrino da próxima vez que por ali passarem. Não se arrependerão!

No Strava

 

Fátima trail – Segue a seta azul.

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Os meus amigos descansem, não voltei a sentir o chamamento quente da fé. Deus não voltou a falar comigo nem a devoção a Maria me chamou para seus pés. Fui a pé a Fátima porque a distância me parece interessante  e  o esforço é reconhecido por mais do que corredores. Não foi uma peregrinação.

A verdade verdadeira é que este é o primeiro de 13 caminhadas em 13 meses seguidos (o mais possível) e com aumento crescente de dificuldade (mais corrida e menos caminhada ao longo das repetições). Ou seja, entre Dezembro de 2015 e Dezembro de 2016 pretendo repetir isto uma vez por mês, substituindo alguns trechos de caminhada por corrida. Desta vez foi tudo a andar… E ainda bem.

Lancei o desafio a uma pool de amigos e dois saltaram para a estrada dispostos a partilhar esta primeira jornada. Decidimos que iríamos fazer o caminho pelos trilhos marcados. Eu já tinha feito 1/3 do percurso entre Santarém e Fátima guiado desta maneira  e gostei bastante.

Num  pais em que reclamamos (de boca) de tudo mas nunca bendizemos nada, tenho a dizer que estes caminhos estão muito, mas muito bem marcados. È uma verdade que nos metem a andar pelo meio da serra, mas só um distraído com problemas sérios de visão (ou um fanfarrão convencido) têm hipóteses de se perder aqui. Houve uma preocupação clara de tirar beneficio das melhores paisagens, dos melhores ângulos e pontos de vista ao mesmo tempo que se retira o peregrino/caminheiro da estrada e dos perigos rodoviários.

Como trail, o percurso entre Santarém e Fátima não é muito difícil. São cerca de 56 km, muitos estradões, na perspectiva do Nuno daria para correr em pelo menos 50% (sou levado a concordar) e um declive acumulado de 1200 m. Sem necessidade de cordas. Passa pelo interior e em muitos locais permite sentir o pulso às populações mais tradicionais e aos seus modos de vida. È refrescante para nós (talvez pesado e enfadonho para eles).

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Saímos cedo, 7:30, cafézinho na Bijou e foto no seminário. Lá vão eles a cortar o nevoeiro estrada fora… a brigar com os GPS que não queriam marcar o caminho. Trilho encontrado é só seguir as setas azuis (que as amarelas vão para Santiago de Compostela), desfrutar do passeio e da companhia. Primeira parte do percurso sem percalços. Uma paragem no “Miguel” no Arneiro das Milhariças para outro café e afazeres de casa de banho. Seguimos viagem, acompanhados por bucólicas paisagens e aquela humidade abafada do bosque em dia depois da chuva. Assim foi até entrarmos no Parque Natural das Serras de Aires e Candeeiros. A Temperatura ai desceu e a paisagem mostrou-se mais austera, igualmente bela. A serra é sempre uma experiência que me remete para a introspecção. Há uma paz e um silêncio, uma grandiosidade que me faz pequeno e me reduz à insignificância. São momentos reflexivos que recebo sempre de braços abertos.

 

Era uma hora da tarde quando decidimos procurar sitio para comer uma sopa e quem sabe também uma bifana. Mas a interioridade também tem os seus senãos, só seriamos servidos lá para as 14:30 num restaurante chamado o Caracol, no topo de Covão do Feto já à babujem de Minde. Soube muito bem parar. Massagens aos pés, alongamentos e uma sopa quentinha. Quem diria que feijão com couve tem tamanha capacidade para repor nutrientes e sossegar o espírito.

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De novo calçados e em marcha, mais uma subida e mais uma travessia. Era engraçado ver que eu e o Rui, habituados a fazer esta peregrinação, mas por outros caminhas, estávamos completamente à nora de onde estávamos a maior parte do tempo e do que iríamos encontrar a seguir. A meu ver, tornou a experiência ainda mais marcante.

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È nesta altura, possivelmente na transição para o ultimo terço do percurso que paro a contemplam Minde do alto da serra, de um ponto onde nunca tinha estado e me vem à memoria todos os ambiente por onde já havíamos passado, do tipo de sensações que tive em cada um deles e não deixei de fazer a ligação com Frodo Baggins na sua demanda para Mordor. Também nós haveríamos de enfrentar as maiores dificuldades perto da chegada. Não porque as aranhas em Fátima sejam grandes, mas porque as pernas cansadas costumam tornar mais cinzenta a visão de tudo. Ri, encorajei os meus companheiros, tirámos fotos e seguimos. Até aqui estávamos todos bem, sem grandes coisas a relatar. seguimos.

Covão do Coelho, a ignóbil subida dos peregrinos foi vencida sem questões, mais um trilho por caminhos paralelos interrompido apenas para uma foto, no preciso momento em que o GPS marcou 42,195km (marca da maratona). Esta malta gosta de simbolismos.

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Mais estradões, um pôr do sol envergonhado e duas ou três horas de caminhada no breu. Nada a temer, algum desconforto nas ancas nuns, nos pés noutros, mas nada que impeça a progressão.

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Nos km finais cria-se alguma impaciência, até porque não sabemos muito bem quantos são ao certo. Noto o cansaço na cara e nos actos dos meus colegas, mas nada que se compare “aos finalmentes” de uma qualquer peregrinação que tenha feito antes desta.

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Entramos no santuário junto ao estacionamento do Paulo VI, mesmo de frente para a nova Basílica.

Para mim que tenho um histórico de fé mariana, não serei hipócrita, sinto algum conforto junto da imagem de Maria. O santuário de Fátima é-me muito familiar e há sempre emoção cada vez que chego ali e que vou dizer “olá à mãe!”. Tenho perfeita noção do que é e porque o sinto (não é assunto para este post) e por isso entrego-me sempre a essa paz e a esse conforto como recompensa do esforço despendido.

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Depois de cumpridos os rituais que cada um quis cumprir, voltámos para casa, à boleia da Mafalda (obrigado Mafalda), mulher do Nuno, que amavelmente se ofereceu para nos trazer de volta a casa.

Foi de facto uma estreia maravilhosa, sem mazelas a declarar, sem cansaço extremo e com muita vontade de voltar para melhorar os tempos e repetir as sensações. Foram 56 km e 12 h. Não foi mau mas há muito espaço para melhorar! Como treino para a maratona, foi soberbo para as pernas e para a mente.

Venham as próximas!

Nota: Fotos de Nuno Salazar Ferreira e Rui Felício

 

São Silvestre Lisboa 2015

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Esta foi a minha primeira prova desde que estou a treinar para a Maratona de Madrid. Queria, entre outras coisas,  perceber como é que a partida do fim da linha influência o resultado final. No meu caso, foram quase dois minutos.

Tinha 4 objectivos em em mente:

1º- Divertir-me

2º – Terminar a prova

3º – Terminar sem paragens

4º – Fazer um tempo inferior a 51 minutos.

Os primeiros três seriam fáceis de cumprir se não houvesse percalços. Contudo, gosto sempre de ter presente que não são dados adquiridos, que há também de lutar por eles. Já o quarto representaria uma nova conquista, um novo patamar que não atingi ainda.

Embora não seja um entendido ou estudioso na matéria, acho que este percurso permite fazer bons tempos. Começa com uma descida, seguem-se bons km de terreno plano e longas rectas. A questão de ter subir a Avenida da Liberdade já na parte final da prova vejo-a compensada pela descida do ultimo km.

Ou seja, senti que era possível atingir o 4º objectivo. Fui traído pelo facto de ter partido no grupo mais lento e não ter conseguido começara a corrida ao ritmo que gostaria. Tinha tanta gente à minha volta que a páginas tantas pensei que poderia simplesmente flutuar no meio delas se desse um simples salto para o ar. Também não me dou bem com a calçada, prefiro alcatrão.

Nada disto são desculpas, apenas factos que preciso ter em conta se, nas próximas provas quiser melhorar os meus tempos. Não cumpri o objectivo e não creio que foi por falta de esforço. Foi simples e pura falta de arte.

Para registo ficam ainda os episódios únicos de camaradagem e diversão que acompanham estas provas. Mais do que tempos, competição e demais interesses desportivos, são verdadeiros momentos de descompressão entre amigos que têm na corrida uma desculpa para se juntar. O ambiente foi fantástico como comprovam os vídeos que fui mandando para a página de Facebook.

No Strava.